Chove muito em Porto Alegre nesse sete de setembro. Com tristeza e certa revolta me informo do que está no país. Leio Candice Almeida na Folha e concordo quando ela afirma que uma nação independente não é exatamente a que nos tornamos. Uma pátria independente não tem trabalho escravo nem precarizado; não se sustenta na dicotomia casa-grande e senzala; não pensa em crescimento sem educação; não se pauta no combate à violência expandindo o acesso a armas, uma pátria independente respeita os idosos, as mulheres, os gays e as crianças. Uma pátria independente não exonera professor por “viadagem”; tem universidades para muitos e cidadania para todos. Tem deficientes, diabéticos, orgulhosos, ciumentos, baixos e tudo quanto é tipo de criança e adolescente em sala de aula. E ninguém atrapalha; todo mundo se ajuda e aprende junto.
No fim de semana assisti à série Vosso Reino, série argentina produzida pela Netflix e que trata de dois temas que não deveriam estar ligados, mas que ultimamente estão: religião e política, não só na Argentina, mas aqui no Brasil também. Se você está pensando em assistir, prepare o estômago, são muitos socos e muitas tristes semelhanças.
Freud compreende a religião como um extremo domínio do pensamento desejoso. Freud vê na religião uma ordem cultural imposta que se equipara a uma enfermidade psíquica, a neurose. Para Freud, a religião infantiliza o ser humano. A relação do fiel com o Deus é de amor quando se vê dependente, e de ódio, quando se vê reprimido, mas ele obedece a Deus porque não há outra saída.
Para Bonhoeffer, pastor luterano e espião na Agência de Inteligência Militar Alemã (Abwehr), uma antagonista da Gestapo (polícia nazista), enquanto a religião dominar o ser humano (e não inversamente), será ela mesma ferramenta dos podres poderes.
Como escreveu Wilson Gomes à Cult “Não sei se o Dia Sete vai ser gigante, como Bolsonaro anuncia e a sua seita espera, só sei que manifestações bolsonaristas do 7 de setembro são a nova pauta decisiva do governo. Não, as prioridades do governo brasileiro não incluem controlar a inflação nem diminuir as tarifas públicas de energia ou o preço da gasolina ou do gás de cozinha, que reduzem a quase nada os ganhos dos pobres. A prioridade é a sobrevivência política do governo e a manutenção dos bolsonaristas em estado perene de mobilização”.
Fico imaginando o que vai acontecer no dia 8 de setembro, quando os bolsonaristas acordarem para constatar que tudo está igual e/ou talvez até pior.
