A arte e o desafio de escrever

Escrever é sempre um processo penoso, no qual um certo “mal-estar” está presente. É ao mesmo tempo arte e desafio!

Desejo compartilhar no meu site e também no perfil do instagram, o que venho sentindo diante da tarefa de transformar uma percepção ou ideias em algo escrito, e que Freud, mesmo quando sentia-se seguro ao escrever, denominava de horror calami. Minhas vivências e indagações a partir da minha experiência na clínica, em supervisão, na docência, na gestão do CRPRS (2016-2019).

Há importantes diferenças entre o comunicar e o publicar. Ao comunicar ou interpretar, também publicamos nossas ideias, action public, como afirma Bion, mas o outro está presente. A presença viva do interlocutor nos permite reformular nossas hipóteses, escutar os próprios pensamentos, revê-los e confrontá-los, perceber possíveis falhas, conceitos incompreensíveis, para, num segundo momento, se de nosso interesse, reescrevermos para publicação. 

O comunicar também envolve uma limitação imposta pelo tempo. Com isso,temos que privilegiar alguns aspectos em detrimento de outros. As lacunas contidas na comunicação, assim como na interpretação, abrem um espaço para construirmos com o outro um conhecimento.

Já, na publicação, nos comprometemos com as formulações escritas e, ao mesmo tempo, nos desfazemos delas. Não que não seja possível discordarmos de nós mesmos num outro momento, no entanto, as ideias escritas e publicadas tomam diversos rumos, podem gerar derivações posteriores que nos escapam, como se adquirissem vida própria. A publicação envolve uma perda, uma separação da produção escrita.

No processo criativo com intenção de publicação, sempre esteve/está presente uma preocupação em dar voz à comunicação sem muita censura, sem muita avaliação, criando um espaço potencial a la Winnicott. Freud usava a metáfora do nascimento para descrever o horrível sofrimento que experimentava durante a fase conclusiva do processo criativo. 

O processo de elaboração, seja ele clínico ou teórico, se faz na escrita, isto é, no processo de simbolização. Se o trabalho clínico é realizado com base na atenção flutuante, sem escrever, por outro lado, o trabalho intelectual permanece dependente de uma fixação escrita.

Enfim, me desafiar a compartilhar minha produção escrita e reflexões, nesse momento, é a concretização de um antigo projeto. Me acompanhem semanalmente por aqui ou pelo instagram! Que comece essa aventura!

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