A branquitude está em pauta

A série White Lotus chegou ao fim no dia 15 de agosto, mas pra mim chegou ao fim nesse fim de semana. Um paradisíaco Resort no Havaí é o cenário no qual os hóspedes tem comum, a riqueza e a cor branca da pele que facilita tremendamente suas vidas, já que o objetivo do seriado é justamente satirizar esse grupo representativo e desacomodar o espectador. A série não é sobre a vida dos ricos e abastados, mas sim uma forte crítica social sobre a branquitude e as invisibilidades que ela fomenta.

Pra mim foi impossível assistir à série e não pensar sobre a questão do racismo no Brasil. Djamila Ribeiro, filósofa e escritora, descreve o racismo no Brasil como “algo que todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”. Ou seja, o Brasil é um país racista, mas por aqui o racismo é sempre do outro. 

Então, se é para falar de branquitude, comecemos por nos reconhecer brancos e privilegiados neste país fundado e construído na escravidão. O racismo é estrutural, e não apenas uma questão individual.

O racismo permeia todo o tecido da sociedade através de um sistema hierarquizado de poder, opressão e violência institucional em que brancos gozam de privilégios materiais e simbólicos que são negados ou dificultados aos negros. O racismo estrutural constitui a matriz identificatória e identitária alienante da branquitude como supremacia racial com valor normativo universal.

Saber-se e compreender-se como parte ativa da engrenagem que tritura os negros, para Iaconelli, funciona como um choque de responsabilização e exige que tomemos decisões concretas na direção contrária. Se nos pretendemos antirracistas, isso passa necessariamente pelo reconhecimento em nós da branquitude. É urgente quebrarmos os pactos narcísicos de silenciamento.

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